No Dia Mundial do Livro, eu escolho: “O meu país inventado” de Isabel Allende

O Meu País Inventado, de Isabel Allende, é um daqueles livros que nos marcam, pela história, pelo tipo de escrita e acima de tudo pela maneira como Allende nos faz sentir que estamos dentro da história, a seu lado, a viver todos as emoções na primeira pessoa.

“Nasci no meio da fumaça e da mortandade da Segunda Guerra Mundial e a maior parte da minha juventude transcorreu na expectativa de ver o planeta voar em pedaços quando alguém premisse distraidamente um botão e fossem disparadas as bombas atómicas” … este é o ponto de partida da narrativa.

Em O Meu País Inventado, a história de Isabel, sobrinha de Salvador Allende,  e a História do Chile misturam-se, tanto nos momentos felizes como tristes, até à partida forçada da jornalista e escritora e da instauração de um novo regime político, neste país da América Latina.

As histórias da sua família, descrições pessoais dos tios, dos avós, dos pais, são intercaladas com descrições do povo chileno, seus hábitos, sonhos, características e maneira de ser, dando um toque pessoal e intimista à narrativa, tão característico dos seus livros.

A dada altura da história, Isabel diz: “Estamos a falar dos anos quarenta e cinquenta … o que eu vivi, meu Deus! Envelhecer é um processo paulatino e solapado. Às vezes esqueço a passagem do tempo, porque por dentro ainda não fiz trinta anos; … Estes mesmos netos afirmam que há um lugar habitado dentro da minha cabeça onde as personagens dos meus livros vivem os seus enredos. Quando lhes conto histórias do Chile julgam que me refiro a esse lugar inventado.”

São essas histórias de vida, que a autora partilha connosco de uma forma íntima, descontraída, mas cheia de emotividade e sentimento. Características que fazem da sua escrita rica e viva e nos levam a devorar cada livro seu de uma forma mais sôfrega que o anterior.

O Meu País Inventado, Isabel Allende, edição Difel.

Por Elsa Furtado – Editora do Canela & Hortelã, revista online de Cultura e Lazer

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